Janeiro e fevereiro têm um efeito clássico em operação industrial: gente nova ou remanejada, times voltando em “meio giro”, fila de pendências, manutenção corretiva aparecendo como boleto atrasado, e aquela sensação de “a produção voltou, mas o cérebro da operação ainda está no litoral”.
O problema é que o custo do improviso ficou caro demais. A Siemens estimou que o downtime não planejado drena uma fatia relevante de receita nas maiores empresas e que, em alguns setores, uma hora parada custa milhões.
Some isso ao cenário de produtividade pressionada na indústria de transformação no Brasil, com dados recentes apontando queda de produtividade e desafios estruturais.
A boa notícia: dá para “arrumar a casa” rápido, se você atacar os 7 ajustes certos, na ordem certa.
1) Refaça o “ritual de retomada” (porque voltar trabalhando não é voltar produzindo)
Sintoma: primeiro mês com mais retrabalho, mais dúvida no chão de fábrica, mais microparadas e mais ruído entre turnos.
Ajuste prático (48h):
- Rode um “kickoff operacional” curto por área (produção, manutenção, qualidade, segurança, logística).
- Revalide padrões críticos (setup, checklists, liberação de linha, parâmetros de qualidade).
- Liste as 10 decisões que mais travam a operação e já defina dono e prazo.
Por que isso funciona: rotinas básicas bem executadas sempre foram o coração da indústria. O digital só escala o que já é disciplinado.
2) Ataque a rotatividade e o “vácuo de conhecimento” (antes que ele vire acidente ou prejuízo)
Rotatividade alta significa curva de aprendizagem eterna. E isso vira custo escondido: mais erros, mais tempo de máquina, mais dependência de “2 ou 3 heróis”.
No Brasil, discussões recentes sobre rotatividade mostram um patamar elevado e persistente no mercado de trabalho formal, com impacto direto em produtividade e gestão.
Ajuste prático (7 dias):
- Mapeie 20 tarefas “não negociáveis” (as que, se der ruim, dá muito ruim).
- Para cada tarefa, registre: passo a passo, erro comum, padrão de qualidade, tempo esperado, e “quando pedir ajuda”.
- Transforme isso em microtreinos de 5 a 8 minutos.
3) Faça um “mutirão de anormalidades” com regra de priorização (senão você só coleciona incêndio)
Depois das férias, as anormalidades aparecem em fila: sensores descalibrados, ruídos, falhas intermitentes, pequenas quebras, gaps de abastecimento.
Ajuste prático (72h): crie um funil simples
- Classe A (parada, segurança, compliance, perda grande): agora.
- Classe B (degradação, risco de parar, qualidade oscilando): esta semana.
- Classe C (melhoria, conveniência, “dá para conviver”): planeja.
Dica sem romantizar: se tudo é prioridade, nada é prioridade. Operação madura escolhe, executa e prova resultado.
4) Trave uma governança mínima de rotina (a operação precisa de “cadência”, não de motivação)
Sintoma: reuniões longas, pouca decisão, ninguém sabe quem resolve o quê, e a semana termina sem fechamento.
Ajuste prático (semana 1): três ritos curtos
- Daily de 15 min por área (anormalidades, riscos, plano do dia).
- War room semanal de 45 min (Classe A e B, decisões, recursos).
- Revisão quinzenal de indicadores (downtime, refugo, OEE, backlog, segurança).
Sem isso, você vira refém da urgência e perde o ano no detalhe.
5) Use IA para triagem e recomendação (IA boa é a que tira peso do time, não a que vira slide)
A IA tem um papel muito claro no pós-férias: reduzir ruído. Menos tempo “caçando problema”, mais tempo resolvendo.
Aplicações práticas e rápidas:
- Classificar chamados e ocorrências por severidade e recorrência.
- Sugerir causa provável a partir de histórico (falha semelhante, peça, turno, condição de processo).
- Alertar padrões anormais (variação de ciclo, consumo, temperatura, vibração, refugo).
Isso conversa direto com a realidade atual: produtividade pressionada e necessidade de decisão mais rápida e melhor.
6) Use Realidade Aumentada para reduzir curva de aprendizado (e parar de depender do “veterano que sabe tudo”)
RA não é “tecnologia bonita”. É ferramenta para padronizar execução e acelerar treinamento, especialmente quando tem troca de pessoas, remanejamento e lacuna de habilidades.
Estudos e revisões recentes discutem como RA melhora assistência técnica e treinamento em contexto de Indústria 4.0.
Ajuste prático (piloto em 2 semanas):
- Escolha 1 processo crítico (setup, manutenção preventiva, inspeção de qualidade).
- Crie 1 roteiro guiado com RA (passo a passo e validações).
- Meça: tempo de execução, erro, retrabalho, dependência do especialista.
7) Trate downtime como tema de negócio (e não como “azar da manutenção”)
Downtime não planejado é um dos drenos mais violentos do resultado industrial. E ele explode justamente quando rotina está frágil.
Relatórios setoriais apontam aumento e impacto significativo do downtime, com valores de referência por hora e perdas agregadas relevantes em grandes operações.
Ajuste prático (30 dias):
- Liste as 5 principais causas de parada do último trimestre.
- Para cada uma, defina: sensor ou dado mínimo, gatilho de alerta, dono da ação, e contramedida padrão.
- Pare de “resolver de novo” o que já aconteceu 10 vezes.
Plano de contenção em 30 dias (simples, e funciona)
Semana 1: governança + priorização de anormalidades + padrões críticos
Semana 2: piloto de IA (triagem e recomendação) + registro de conhecimento
Semana 3: piloto de RA (1 processo) + rotina de indicadores
Semana 4: fechamento: o que reduziu downtime, o que reduziu erro, o que virou padrão
Se você fizer só isso, já entra no resto do ano com motor redondo.
Onde a Solversys entra nessa história
A Solversys atua exatamente nesse ponto em que operação e tecnologia precisam falar a mesma língua. Com soluções em IA, Realidade Aumentada e plataformas de gestão do conhecimento (como o Solver Sense, para treinamentos com RA, e o Solver D4i, para organizar e escalar conhecimento e rotinas), a empresa apoia a indústria a reduzir curva de aprendizado, priorizar anormalidades com mais inteligência e criar governança que sustenta performance o ano inteiro.
Se a sua operação volta das férias com a sensação de “muito esforço e pouco ganho”, o caminho não é trabalhar mais, é ajustar o sistema. E sistema bom é o que roda até quando o time muda.

